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PLATÔS NO EMAGRECIMENTO: QUANDO AS CALORIAS NÃO CONTAM A HISTÓRIA TODA

  • Foto do escritor: Aline Pasqualetto
    Aline Pasqualetto
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 3 horas

Aline Pasqualetto fala sobre perda de peso acima de calorias

Resumo Rápido

  • Por que as calorias são importantes, mas não explicam tudo.

  • Como o sono, o estresse e a fase da vida podem influenciar os resultados.

  • Por que algumas condições de saúde e medicamentos merecem atenção?

  • Quando os sintomas indicam que vale a pena investigar mais a fundo;

  • Por que a resposta nem sempre é comer menos.

Talvez esteja a seguir o plano com atenção.

Talvez continue a fazer escolhas conscientes, mantenha uma alimentação equilibrada e tente ser consistente todos os dias.

Mas os resultados deixaram de aparecer.

Quando isto acontece, a conclusão costuma ser imediata:

"Devo estar a comer demasiado."

As calorias são importantes. Sempre serão. A perda de peso depende do equilíbrio entre a energia que consumimos e a energia que o corpo utiliza.

Mas isso não significa que todas as dificuldades em perder peso possam ser resolvidas simplesmente reduzindo ainda mais as calorias.

A perda de peso acontece num organismo vivo — não numa equação matemática.

O corpo adapta-se, envelhece, responde ao stress, ao sono, aos medicamentos e às diferentes fases da vida.

Por isso, nem sempre o problema é falta de esforço.

Por vezes, o que mudou foi o contexto.

AS CALORIAS SÃO IMPORTANTES, MAS NÃO CONTAM TODA A HISTÓRIA.

A expressão "calorias que entram versus calorias que saem" descreve um princípio fisiológico fundamental.

No entanto, é muito mais complexa do que parece.

Nenhum dos dois lados da equação permanece constante.

O apetite, a digestão, a massa muscular, as hormonas, o sono, a medicação, algumas condições de saúde e até os movimentos do dia a dia podem influenciar a quantidade de energia que consumimos ou gastamos.

Isto não significa que as calorias deixem de ser importantes.

Significa que o mesmo plano alimentar pode não produzir a mesma experiência — nem os mesmos resultados — ao longo do tempo.

Duas pessoas podem seguir uma alimentação muito semelhante e, ainda assim, sentir níveis completamente diferentes de fome, energia, fadiga e saciedade.

E essa diferença é importante.

O SONO E O ESTRESSE TAMBÉM INFLUENCIAM O PROCESSO.

Dormir mal faz muito mais do que provocar cansaço.

A falta de sono pode aumentar a fome, alterar as escolhas alimentares, intensificar os desejos por determinados alimentos e reduzir a motivação para a atividade física.

Aline Pasqualetto sobre sono e estresse na perda de peso

Além disso, quando estamos cansados, tendemos a mover-nos menos ao longo do dia sem sequer nos apercebermos, diminuindo o gasto energético diário.

Estudos mostram que a privação de sono pode aumentar a ingestão calórica e até influenciar a composição corporal durante um processo de perda de peso.¹ ²

O estresse também merece atenção.

Ao contrário do que muitas vezes se lê nas redes sociais, o cortisol não provoca automaticamente aumento de peso.

No entanto, viver sob estresse prolongado pode afetar o apetite, o sono, a organização das refeições, a vontade de cozinhar, a prática de exercício físico e até a forma como lidamos emocionalmente com a comida.

Um plano alimentar que funcionava numa fase mais tranquila da vida pode deixar de ser suficiente durante um período de maior pressão, doença, luto ou esgotamento.

Isso não significa falta de disciplina.

Significa apenas que as circunstâncias mudaram.

A FASE DA VIDA E AS ALTERAÇÕES HORMONAIS TAMBÉM CONTAM.

Aline Pasqualetto explicando perda de peso

As hormonas não explicam todos os problemas relacionados com o peso.

Mas também não devem ser ignoradas.

Durante a menopausa, por exemplo, podem ocorrer alterações no sono, na distribuição da gordura corporal, na massa muscular e no gasto energético.³

Muitas mulheres sentem que a estratégia que funcionava há alguns anos já não produz os mesmos resultados.

Isso não significa que seja impossível perder peso nesta fase.

Pode simplesmente significar que a estratégia precisa ser ajustada.

Preservar a massa muscular, garantir uma ingestão adequada de proteína, melhorar o sono e adaptar o exercício físico podem tornar-se prioridades mais importantes do que reduzir ainda mais as calorias.

O mesmo acontece com alterações da função da tireoide.

O hipotiroidismo pode contribuir para fadiga, diminuição do gasto energético e algum aumento de peso, mas estes sintomas não são exclusivos desta condição.

Por isso, qualquer suspeita deve ser confirmada por meio de uma avaliação médica adequada.

A questão não é atribuir todos os platôs hormonais às hormonas.

É reconhecer quando elas podem fazer parte da história.


Aline Pasqualetto sobre a influência dos medicamentos no processo da perda de peso.

MEDICAMENTOS E CONDIÇÕES DE SAÚDE FAZEM PARTE DA EQUAÇÃO

Muitas vezes esquecemo-nos de olhar para a medicação.

Alguns medicamentos podem influenciar o apetite, os níveis de energia, o controlo da glicemia ou provocar retenção de líquidos.

Entre eles estão alguns antidepressivos, antipsicóticos, corticosteroides, tratamentos com insulina e outros medicamentos frequentemente utilizados.⁴

Isto não significa que devam ser interrompidos por causa do peso.

Significa apenas que, quando a alteração coincide com o início de um novo tratamento ou com mudanças na dose, vale a pena conversar com o médico responsável.

Algumas condições de saúde também podem dificultar o processo.

A resistência à insulina, alterações da tiroide, a síndrome dos ovários poliquísticos e outras alterações metabólicas ou hormonais não tornam a perda de peso impossível.

Mas podem influenciar o apetite, os níveis de energia, os sintomas e a facilidade com que um plano alimentar é mantido ao longo do tempo.

Nesses casos, a resposta não deve ser culpa nem restrição excessiva.

Deve ser uma avaliação adequada.

QUANDO VALE A PENA INVESTIGAR MAIS

Nem todos os platôs exigem exames.

É perfeitamente normal que o peso oscile e que existam períodos em que a balança parece não mudar.

No entanto, quando essa dificuldade vem acompanhada de outros sintomas, merece uma análise mais cuidadosa.

Fadiga persistente, sensação constante de frio, alterações menstruais, inchaço inexplicável, sede excessiva, fraqueza muscular, alterações intestinais ou mudanças rápidas e inesperadas no peso não devem ser simplesmente atribuídas à falta de força de vontade.

O objetivo não é procurar um problema onde ele não existe.

É evitar assumir que tudo se resume à alimentação quando podem haver outros fatores importantes envolvidos.

A RESPOSTA NEM SEMPRE É COMER MENOS.

Quando os resultados abrandam, a reação mais comum é cortar ainda mais calorias.

Por vezes isso funciona durante algum tempo.

Mas isso não significa que seja sempre a melhor decisão.

Antes de voltar a restringir a alimentação, talvez seja mais útil perguntar:

  • O meu sono mudou?

  • Estou mais estressado(a)?

  • Tenho feito menos atividade física no dia a dia?

  • Estou a preservar a minha massa muscular?

  • Surgiram novos sintomas?

  • Começou algum medicamento recentemente?

  • O meu corpo precisa realmente de outro déficit calórico ou beneficiaria primeiro de um período de manutenção?

Estas perguntas não são desculpas.

São uma forma mais inteligente de perceber o que realmente está a acontecer.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A perda de peso continua a depender do equilíbrio energético.

Mas esse equilíbrio acontece dentro de um organismo que muda constantemente.

Um organismo influenciado pelo sono, pelo estresse, pela idade, pela saúde, pelos medicamentos e pelas circunstâncias da vida.

É por isso que comer menos nem sempre é a resposta mais adequada.

Por vezes basta um pequeno ajuste.

Noutras situações, pode ser mais importante melhorar o sono, preservar a massa muscular, rever a medicação ou investigar possíveis alterações de saúde.

Uma abordagem verdadeiramente individualizada não ignora as calorias.

Simplesmente recusa ignorar tudo o resto. References

  1. Nedeltcheva AV, et al. Insufficient sleep undermines dietary efforts to reduce adiposity. Annals of Internal Medicine. 2010.

  2. Tasali E, et al. Effect of sleep extension on objectively assessed energy intake among adults with overweight in real-life settings. JAMA Internal Medicine. 2022.

  3. Greendale GA, et al. Changes in body composition and weight during the menopause transition. JCI Insight. 2019.

  4. Anekwe CV, et al. Pharmacotherapy causing weight gain and metabolic alteration in those with obesity and obesity-related conditions. 2024.

 
 
 

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